"The more I want to inhabit the place that I belong, the more I want to make it feel like home"
Esse foi o pensamento que me veio enquanto eu estava fazendo café depois de algumas horas vendo um perfil do instagram em que a pessoa que abordava "estranhos" na rua para pedir para que eles o levem para suas casas e mostre as 5 peças favoritas que eles tinham, podia ser roupa, acessórios ou até arte. Eu simplesmente amei isso porque isso mostrava a originalidade das pessoas. Depois entendi que a originalidade tinha muito a ver com que era pessoal de cada um e atrelado a sua história de vida. Outra coisa que me tocou foi o quanto da personalidade deles estava entregue na casa que eles viviam e na roupa que usavam. Eu entendi que eu sou uma pessoa artística e pouco do que é meu está representado nessas duas coisas. Pouco de mim está "entregue" em quem entra na minha casa ou me vê na rua. Pouco quase nada. Isso me tocou profundamente.
Confesso que senti uma vontade súbita de escrever e pesquisar mais sobre solidão e solitude. A romantização e as verdades por trás de cada coisa. Eu tenho uma música que se chama "Alone" em que eu falo sobre como é me sentir sozinho "Sometimes I wish I had never been born". Pra mim estar sozinho era um peso, um fardo. Porque na verdade nos meus 36 anos de vida, nunca estive tão sozinho. Já passei por namoros duradouros, mas esses últimos dois relacionamentos eu diria que foram muito breves e não foram nada "preenchedores" como os outros 3 anteriores. Isso me fez refletir muito sobre o quanto eu consigo preencher os meus espaços comigo mesmo e o como fazer isso. Como sentir que a minha casa é de fato um lar? Eu percebi também o quanto eu deixava a minha casa pronta pra servir ao outro e não a mim mesmo e isso mudou muito como enxergo os objetos da casa. De quem aprendi isso? Desde quando penso em ser assim?
Agora penso com mais carinho como preencher os "vazios". Na realidade, poeticamente e filosoficamente falando, eu não preenchia de mim, por isso o vazio. Tenho uma vitrola e discos que ouço quando estou com gente em casa. Tenho copos reservados para visitas e roupas "de sair" quando eu vou estar com alguém. Tenho também dificuldades com meu corpo e passar imagens deturpadas do meu gênero atual. Sinceramente isso novamente tem a ver com o olhar do outro e nada a ver com o como me sinto.
Hoje em dia estou usando mais calça de sarja, camisetas e bermudas, mas nada disso é original e é pra me deixar mais "passável" como homem cis. Coisas da minha cabeça, porque não consigo passar como homem cis do jeito que estou. Eu quero ser mais original, ter um estilo mais pessoal. E acho que vou conseguir quando eu parar de querer agradar tanto no meu estilo de roupas, quanto da minha própria casa. Tenho que olhar para cada canto e dizer: isso me faz bem? Me sinto bem aqui? Se não, porquê? Posso fazer alguma coisa pra melhorar? Se sim o que é e o que me impede de o fazer? Dinheiro? Disposição?
Aqui é sobre ter agência. E é o que estou tentando cada vez mais fazer e ter. Eu era muito viciado no "Queer Eye" porque os caras mudavam a vida da pessoa completamente. Não deixa de ser uma mudança que vem de fora. Eu quero agora ver pessoas que fazem o "Queer Eye" por si mesmas. Eu sinto que depois que me entendi como transmasculino que as coisas melhoraram porque passei a sustentar a ser quem eu sempre quis ser. E isso exige muita coragem e ousadia para outros.
Eu sinto orgulho do meu caminho e quem estou me tornando e olhar pra minha casa e sentir que ela está se tornando meu lar.
Sigamos em frente!
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