SOBRE MIM
Me chamo Liam, tenho 36 anos e vivo em Jundiaí, interior de São Paulo. Sou Engenheiro de Dados Sênior na Afya, onde trabalho com tecnologias de ponta como Kafka, Debezium, Airflow, Databricks e dbt. Tenho mais de 15 anos de experiência com bancos de dados e infraestrutura, tendo começado minha carreira na IBM como DBA especialista em DB2, onde aprendi a resolver problemas críticos de performance e disponibilidade para grandes clientes como Morgan Stanley e Banco do Brasil. Nos últimos anos, fiz a transição completa para engenharia de dados moderna, migrando de um mundo de administração tradicional de bancos para arquiteturas em nuvem, streaming em tempo real e pipelines complexos de transformação de dados.
Atualmente estudo Ciência de Dados na Fatec e trabalho em projetos desafiadores como a migração de toda infraestrutura de dados da empresa do Redshift para o Databricks - um projeto que envolve não só conhecimento técnico profundo, mas também a capacidade de orquestrar sistemas distribuídos, gerenciar Kubernetes, configurar conectores de CDC e garantir que dados críticos fluam de forma confiável 24/7. Também dou aulas particulares de inglês como renda complementar, uma atividade que me conecta com pessoas e me permite usar minhas habilidades de comunicação de forma diferente do trabalho técnico.
Sou neurodivergente e aprendi ao longo dos anos a usar isso como uma força. Minha mente funciona de forma não-linear, o que me permite ver conexões entre sistemas e problemas que outras pessoas muitas vezes não enxergam. Uso inteligência artificial não como muleta, mas como extensão cognitiva - uma ferramenta que me ajuda a processar informações complexas, estruturar pensamentos e navegar a sobrecarga sensorial e cognitiva que vem com a neurodivergência. Essa relação com tecnologia como aliada permeia não só meu trabalho, mas toda minha vida.
Recentemente passei por uma das transformações mais profundas da minha vida: assumi-me publicamente como homem trans. Essa jornada começou aos 30 anos, quando comecei a questionar minha identidade de gênero, mas levou mais alguns anos até eu ter coragem de me nomear, de escolher meu nome - Liam - e de começar a viver autenticamente. Hoje uso pronomes masculinos (ele/dele) e estou planejando minha transição de forma gradual e consciente: primeiro os pronomes, depois a retificação de nome nos documentos, e em seguida a hormonização. Tenho o apoio do meu namorado Alexandre, que tem sido fundamental nesse processo, me vendo e me tratando exatamente como sou desde o início.
Sou bissexual. Por muito tempo achei que tinha que performar feminilidade de uma forma que nunca me coube, e parte da minha jornada foi desconstruir essas camadas de expectativa social para encontrar quem eu realmente sou por baixo de tudo isso. Hoje me sinto mais inteiro do que nunca, mesmo - ou especialmente - no meio dessa transição.
Divido minha casa com dois gatos, Smeagol e Kaoru, que são meus companheiros constantes e testemunhas silenciosas de todas as crises existenciais, sessões de composição musical às 3 da manhã e maratonas de troubleshooting de código.
Para além do trabalho técnico, sou profundamente criativo. Escrevo - poesia, crônicas, análises de cinema, cartas que nunca envio, textos que processam trauma e identidade. Crio música usando ferramentas de IA como o Suno, compondo letras que falam sobre dor, transformação, legado. Recentemente tive minha primeira experiência cantando ao vivo no Fatec Fest, onde performei "Bring Me to Life" do Evanescence e "Decode" do Paramore - foi a primeira vez que me coloquei num palco daquele jeito, vulnerável e inteiro, e descobri que talvez eu seja mais de cantar com uma banda do que de atuar em teatro, mesmo tendo feito teatro por anos.
Faço colagens, desenho, e estou sempre explorando novas formas de expressão artística. A criação para mim não é hobby - é necessidade, é respiração, é a forma como processo o mundo. Uso a arte para nomear coisas que não têm nome, para tornar visível o invisível, para deixar rastro da minha existência nesse planeta onde, como humanos, vivemos uma fração tão pequena de tempo.
Tenho histórico de relacionamentos complicados, de me colocar em segundo plano, de aceitar tratamento que não deveria aceitar. Isso mudou drasticamente depois que comecei a entender melhor feminilidade tóxica, codependência emocional e o quanto meu diagnóstico anterior de Transtorno de Personalidade Borderline era questionável - algo que muitas mulheres (e pessoas AFAB) recebem quando na verdade estão respondendo racionalmente a contextos abusivos ou simplesmente existindo fora de normas estreitas de como mulheres "deveriam" se comportar emocionalmente.
Não acredito em perfeição. Acho até que buscar perfeição é uma forma de autossabotagem, porque perfeição paralisa e eu preciso criar, expressar, existir - e nada disso é compatível com padrões impossíveis. Aprendi, depois de muito tempo, que ninguém "merece" nada por existir; conquistamos nossos direitos, nossa dignidade, nosso espaço no mundo. E que aceitar isso não é niilismo - é realismo radical que me liberta para agir.
Aos 36 anos, não tenho a vida que imaginei aos 20. Não casei, não tive filhos, não tenho casa própria. Mas tenho algo que aquela versão de mim nunca imaginou: tenho autenticidade. Tenho um trabalho que amo e no qual sou bem remunerado e reconhecido. Tenho um parceiro que me vê de verdade. Tenho gatos, música, palavras, código, e a coragem crescente de existir plenamente como sou - um homem trans, neurodivergente, criativo, técnico, imperfeito, em trânsito, vivo.
Meus sonhos para este ano e os próximos são múltiplos mas têm um fio condutor: não morrer em vão. Quero ser visto e percebido. Quero influenciar positivamente a vida das pessoas. Quero deixar um legado - seja através de um livro, uma música, um texto inspirador, uma palavra amiga, um abraço memorável, ou simplesmente código bem escrito e sistemas que funcionam. Como vivemos tão pouco tempo neste planeta em comparação com a idade do mundo, e como não há garantia nenhuma do que vem depois, escolho viver com verdade agora. Na dúvida sobre quanto tempo me resta ou o que acontece quando acabo, prefiro ser a melhor pessoa que posso ser enquanto estou aqui.
Este blog, Para Mais Além, é meu espaço de existência autêntica. Aqui escrevo sobre tudo - transição, tecnologia, cinema, música, filosofia, dor, alegria, contradição. Não tenho ilusão de que vou atingir milhões de pessoas, mas sei que alguém vai ler. E talvez esse alguém precise ouvir que está tudo bem não ter todas as respostas, que transformação é possível aos 30, aos 40, em qualquer idade, e que existir autenticamente - mesmo sendo imperfeito, mesmo sendo complicado - vale infinitamente mais do que performar uma versão aceitável de si mesmo.
Bem-vindo ao meu canto da internet. Aqui eu existo, por inteiro, por escrito, para mais além do que me foi dito que eu poderia ser.
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