Estive hà alguns dias atrás falando com uma amiga (@juceliazardini) e a gravei quando a encontrei para conversarmos casualmente. Ela lê muitos livros e é uma ótima filósofa e formada em cuidar de pessoas. Portanto achei importante compartilhar esta conversa porque antes de amarmos temos de aprender a nos deixar sermos amados. E isso não depende de alguém e sim de nós mesmos.
Segue a conversa com mais detalhes
Então Ju, qual é o livro que você está lendo agora?
R: Eu tô lendo um livro um livro sobre crenças, é meio antiguinho, mas é bem legal.
Você consegue mostrar pra gente a capa?
R: (Jucelia mostra o livro "Crenças" de Robert Dilts) - Ref. https://golfinho.com.br/robert-brian-dilts.htm
Dá uma mensagem para quem tem essas crenças limitantes e acabam por não tomar decisões importantes para a vida delas simplesmente porque elas sentem medo?
R: É, assim...todos temo as nossas crenças limitantes. Parece que isso é fácil da gente entender. Hoje falava (antes da gravação) de uma mais especificamente que me ocorreu aqui conversando. É que a gente acha que é difícil amar, mas eu acho que é tão mais difícil quanto, ou mais, é a gente permitir ser amado. Sabe? Então, parece simples, mas se a gente falar "Não, que legal que você me ama, eu aceito...tudo mais", mas aos pouquinhos se aquilo não é profundo, completo, a gente vai ficando assustado. Aí a gente vai fazendo coisas inconscientes para que ninguém possa fazer ir sabotando o relacionamento, e ir afastando as pessoas né? Arrumando aí desculpas internas ou não, para ir afastando-se do relacionamento em si. Então eu acho isso triste, porque daí vivemos assim relações, e eu não estou falando só de relações amorosas, eu to falando relações de amizade, trabalho, qualquer relação que envolva uma coisa mais profunda, a gente se assusta. A gente volta para o raso. Porque dá menos trabalho né? Então é uma pena, mas eu acho que a parte boa é que é possível mudar isso. Claro, tenho certeza. E que os tempos que estão chegando aí, sabe Maira, estão vindo para que a gente faça tudo diferente do que a gente já fez. Eu consigo ver um 2024 em diante...tempos independente de cronologia. De irmos muito mais para o fazer e menos no ficar naquilo "Eu to pensando sobre...", é aquele fazer que é profundo, que você vai no fundão da coisa e se permite. E com isso venha "Eu permito que me amem profunda e completamente" e que saia do raso e que saia de tudo isso que a gente tem visto nos últimos tempos.
Você acha que tem idade para essas coisas?
R: De forma alguma.
Existem pessoas novas, crianças, adultos, pessoas de todas as idades que acabam por ter esse medo de ser amado?
R: Não, as crianças não tem esse medo.
Porque?
R: Elas não vem com esse medo. Elas deixam, elas permitem. Eu acho que a partir da infância é que se começa a criar esse medo. Se elas não aprenderam a receber, se elas não receberam um amor assim, se tudo foi dado só de "conta-gotas" aí ela vai crescer acreditando que é à "conta-gotas" que ela merece. Vai ser só "aqui na derme" e "não vou aprofundar". Só que se essa criança recebeu amo mais profunda (e que não significa "confortável"), o amor mais profundo, mais completo ele cobra. Se eu te amo como amigo(a), namorado(a) e digo que ta "tudo bem" não estou te ajudando em nada porque têm coisas que não estão boas e eu tenho que te falar. Esse que não é um amor verdadeiro, profundo e completo. Isso Aristóteles já dizia...Então a gente tem que amar profundo e completamente. Já é o tempo da gente se permitir ser amado pleno e profundamente.
Você acha que, por exemplo, as pessoas que não sabem dar limite para outras pessoas ou dar limite para por exemplo não ser maltratada, abusada, não estou nem falando de um jeito assim "muito agressivo", mas deixar que o outro faça de tudo para usar a ele mesmo? Ela acaba por gerar uma crença limitante ao longo da vida?
R: Eu não acho que ela gerou, eu acho que ela já tem uma crença dentro. "Para que eu seja aceito eu tenho que aceitar tudo o que vem do outro". Para mim envolve nessa relação a falta de amor e não o amor em si e de si mesmo, é quando as pessoas dizem o tempo todo..."é quando eu permito esse tipo de coisa comigo eu não amo a mim mesmo". Eu acho que você não ama nem a você, nem ao outro. Porque se você gostasse do outro você iria impedir que ele fizesse isso. Porque todo mundo que machuca, está se machucando. Pode não perceber, mas está se machucando. Então se eu amo eu tenho que impedir que você me machuque e machuque os outros. Essa é uma relação que tem qualquer coisa, menos amor.
Como descobrir que na relação se está sendo abusado e que não é amor?
R: Eu acho que se te causa desconforto, se toda hora você precisa estar ressignificando, repensando, achando motivos para estar ali, você então não deveria estar ali. Para estar, deveria ser um único motivo, estar bem. E o "me faz bem" não necessariamente novamente ter a ver com o produto do que eu estou sentindo. Me "faz bem" porque também me cutuca, porque também me faz pensar o que não está legal, mas quando isso vira uma constante onde "só me cutuca" ou "só me faz mal" e que te faz qualquer coisa, menos estar te ajudando. É muito assim "Eu amo muito se aquilo me tira da zona de conforto a ponto de eu ir para um lugar melhor e ter muito mais lugares melhores com aquela pessoa do que aqueles lugares confortaveis".
Então aquelas pessoas que estão nessa zona de conforto, não estão confortáveis de verdade, e que não estão sendo amadas de verdade, você teria algum alerta que ela poderia notar nela, ou no outro? Para que ela pudesse mudar de comportamento, ou talvez até acabar essa relação?
R: As dicas, a internet está cheia disso, mas o melhor que uma receita é você sentir. Então acho que o primeiro movimento não é tentar descobrir se o outro te ama, primeiro é tentar ver se você permite ser amado. Se você permite que alguém te ame de verdade. E depois eu eu deveria pensar que quando eu estou com alguém eu ele deveria ser "Ok, nessa relação, se chegar ao ponto dessa pessoa estar em uma cama e eu precisar trocar a fralda dela eu vou suportar isso?". Se eu vou suportar isso, então é ela, mas se o fato de pensar nisso me causa repulsa então eu ainda não cheguei lá. Então eu acho que é muito consultar o nosso interior, passar pelo silêncio. Se a gente não suporta ficar no silêncio a gente nunca vai se ouvir e se a gente não se ouvir não adianta querer ouvir o outro. Então, acho que a pergunta não é "Não sei se a pessoa me ama", a pergunta é "Eu sinto tudo isso que mostra que essa pessoa me ama?", eu não quero saber eu quero sentir. E aí eu tenho que partir (se provar ser negativo). É muito complicado essas respostas. A psicanálise ajuda muito...a espiritualidade.

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