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Como não desenvolver a autoconfiança em 10 passos

Não acredito em “receita-de-bolo” para coisas sérias como essa. Por isso quis fazer uma brincadeira das coisas que a pessoa tem de fazer para continuar na mesma, ou seja, não conseguir se desenvolver a autoconfiança tão almejada por todos nós.

1) Não aceitar os desafios
2) Acreditar apenas na aleatoriedade da sorte
3) Acreditar nos outros piamente
4) Não se conhecer
5) Não se desenvolver
6) Não enxergar a o lado positivo e a intenção positiva das coisas
7) Não se preparar
8) Não ter postura corporativa
9) Focar no problema e não na solução
10) Não se manter ativo

1) Não aceitar os desafios

Aqui estamos falando da zona de conforto. Pensa que você está fisicamente em um lugar conhecido, não necessariamente ele é quente e aconchegante, não é aonde se sente complacente com sua situação e sim onde você conhece, e isso torna esse “ambiente” confortável. Segundo um estudo da White & Maclean de autoria de Alasdair White chamado “From Comfort Zoneto Performance Management”, a primeira pessoa a utilizar esse tipo de expressão para performance foi uma escritora chamada Judith Bardwick em 1991 em seu livro “Perigo na Zona de Conforto”, mas cada um tem a sua forma de expressar o que é a zona de conforto. Portanto alguém inteligente resolveu fazer um gráfico disso:


Ou seja, para sair da zona de conforto você tem que enfrentar o medo, mas para sair do medo você tem que saber o que está fazendo. Exemplo de um penhasco. Se você quer chegar do outro lado tem de construir uma ponte. Você pode ficar onde está ou simplesmente aprender como usar as ferramentas que você tem a sua disposição para ampliar a sua zona de conforto (no caso estar seguro em um chão firme), portanto no nosso exemplo, finalmente construir a ponte e então desenvolver a habilidade de construir pontes, marcenaria, engenharia, matemática e etc. Daí então superar esse medo de sair de onde está, caminhar pela ponte e chegar do outro lado. Faz sentido? Como o próprio estudo define: “A zona de conforto é um estado de comportamento em que uma pessoa opera em uma condição de neutralidade da ansiedade, usando comportamentos limitantes para entregar uma performance estável, quase sempre sem o senso de riscos associados” Como correr riscos? A pessoa que não correr riscos (calculados e premeditados), nunca sairá da zona de conforto. A exemplo da ponte, a ponte, mesmo que muito bem estruturada, será a sua primeira ponte (pense que estava na zona de conforto e nunca fez uma antes), portanto nunca saberá se ela realmente irá suportar. Se você se empenhou, estudou, fez o protótipo, testou, se preparou e enfim montou a ponte, ela não vai cair. Você pode correr o risco de passar por cima dela e chegar do outro lado são e salvo. E qual o resultado disso?

Autoconfiança.

2) Acreditar apenas na aleatoriedade da sorte

Segundo Max Gunther em seu livro “O Fator Sorte” a sorte é definida por Noah Webster como sendo “uma força sem propósito, imprevisível e incontrolável que modela eventos de forma favorável ou não para determinado indivíduo, grupo ou causa”. Como ele também menciona no livro, há um ditado latino que diz “Audentes fortuna juvat”, ou seja, “A fortuna favorece os audazes”. Só que como cair na armadilha de acreditar que as coisas dependem de fatores externos e não internos? Afinal, é um fator imprevisível e incontrolável, portanto você fica dependente de fatores externos que fogem do seu controle. E isso não queremos certo? A exemplo da ponte, você pode jogar uma corda, colocar tábuas e contar com a sorte de subir na corda e não cair, não passar um vento e virar a tábua, ou a sorte da tábua não quebrar porque você não sabe a durabilidade da madeira. A sorte é como ganhar na loteria, você não prevê, não tem controle. Como o diagrama abaixo, você quer ficar no quadrante inferior direito:

Esforço

Propósito e Intenção

Pouco

Muito

Com

Sorte com foco

Forçar acontecimentos

Sem

Pura sorte

Direcionar acontecimentos


A sorte está relacionada a estar pessimista ou otimista com relação a algo? Não, as pessoas mais sortudas são a que se preparam para o “que vier é lucro”. Elas estudaram as possibilidades e chances, pesquisaram sobre o terrento que estão pisando, testaram, e quando aplicaram o que sabiam, puderam contar com o pouquinho de sorte que precisavam.

3) Acreditar nos outros piamente

Acreditar no que os outros dizem tem sua raiz na história onde nós precisávamos confirmações dos outros para saber se tal alimento era válido comer, ou se tal lugar era seguro para ir ou se tal pessoa era de confiança. A opinião dos outros tinha valor porque não possuíamos o discernimento capaz de decifrar certas coisas sozinhos. Agora a opinião dos outros vai de encontro com outra necessidade mais intrínseca e digamos que moderna da nossa sociedade, a de possuir valor e de ser reconhecido. Dentre tantas pessoas nesse mundo, queremos nos destacar, sermos percebidos e recompensados pelos nossos bons atos. Isso representa que o outro tem o poder de nos dizer se somos ou não valiosos e se pertencemos ou não à sociedade em que estamos inseridos. Não estou dizendo que não devemos nos importar com a opinião alheia, mas o problema está em dar aos outros o total controle sobre nossa auto-percepção, ou nosso auto-valor. A questão aqui será ouvir atentamente de forma que haja um filtro da nossa parte em que entendemos de fato o que está sendo falado e qual a intenção positiva daquilo que está sendo dito.
Como toda água que se bebe de filtro, não queremos sujeira. Quais são os ruídos que devemos filtrar, quais são os filtros que devemos limpar? Baseando-se na imagem acima, quais conceitos pré-concebidos tenho de determinada opinião sobre a minha imagem ou minha pessoa? Veja quais são os seus filtros que vão fazer com que você utilize o viés confirmatório, por exemplo, de que é alguém bom em matemática. Isso foi uma perceção que você já tinha sobre si mesmo, e mesmo que a pessoa não tenha dito explicitamente que você é bom em matemática, o que vier por um caráter positivo da opinião alheia virá como confirmação desse conceito já estabelecido.

4) Não se conhecer

Existem várias ferramentas de autoconhecimento, de análise de personalidade. Só que nada vai ser melhor do que você mesmo na hora de buscar a verdade de quem você é. Acho que a melhor ferramenta de autoconhecimento já inventada é o bullet journal. É escrevendo que você consegue se questionar, analisar a sua própria escrita como forma de se entender e se conhecer é o que mais me ajudou e acho que pode te ajudar também. Se dedicar pelo menos 10 minutos de manhã para escrever seus pensamentos gerados durante a noite, sonhos, sentimentos. Depois tudo o que acontece durante o dia, ideias, números, telefones, acontecimentos e então de noite ser grato pelo que tem, pelo que se aconteceu e se preparar para o dia seguinte. Tive dois cadernos este ano um já totalmente preenchido e outro depois da metade. Anotei desde notas de cursos e testes de personalidade que fiz, até pensamentos e sonhos. Isso tudo server de ferramenta de autoconhecimento. Melhor que isso? Falar com um terapeuta ou ter um grupo de suporte (amigos e família) que te entenda e que te queria ajudar a superar seus problemas e obstáculos. O engraçado é que pouca gente se pergunta coisas difíceis e então tirado do blog Ellduclos, aqui vão 31 dias de perguntas para se autoconhecer:

1. Do que preciso mais na minha vida?

2. Do que preciso me libertar? (Medos, relacionamentos, inseguranças)

3. O que são os meus pensamentos limitantes que estão me segurando? Nesse você pode escrever as frases que mais se repetem na sua cabeça.

4. O que acho mais gratificante na vida e porquê?

5. O que são as 10 coisas que mais amo?

6. Quais são as minhas 5 zonas de conforto e como planejo sair delas?

7. Quais são as 5 coisas que mais tenho talento?

8. Se eu não tivesse restrições financeiras, como a minha vida seria neste momento?

9. Quais são os meus motivadores? Pensar em situações em que agi ou falei por impulso e identificar os valores associados a essa situação.

10. Descrever-me como se fosse a um estranho. Saber dar o contexto da minha pessoa.

11. O que faz a minha alma queimar viva?

12. Onde mais gosto de ir e porquê?

13.Quais são as pessoas que mais me inspiram e porquê?

14. Projetando a minha vida como está agora para daqui 5 anos, é algo que me agrada? O que eu mudaria para entrar ou ficar no curso que quero?

15. Descrever o meu dia ideal independente de se é possível ou não.

16.Quais os hábitos que preciso mudar para que sejam hábitos saudáveis?

17. Dizer 10 coisas que mais amo em mim.

18. O que mais queria fazer, mas tenho tanto medo de tentar? E porque do medo?

19. Quais são meus objetivos do ano e como quero alcançá-los?

20. O que é mais difícil para mim? O que evito fazer?

21. Descrever-me em apenas imagens

22. Contar a minha história com a ajuda de imagens

23.O que me deixaria mais feliz hoje? E amanhã? O que vou fazer para isso acontecer?

24. Quem eu preciso perdoar para não carregar tanto peso do passado?

25. Como pretendo me perdoar e o que preciso?

26. Como eu vejo o sucesso?

27. Como demonstrar mais auto-amor e auto-afeto?

28. Descrever 20 coisas que me faz rir e sorrir.

29. Quais superpoderes eu poderia ter?

30. Meu tempo precioso está tendo usado de forma inteligente?

31.Como quero que as pessoas lembrem de mim.

Isso vai te dar um dossiê sobre si mesmo, o que ajudar imensamente o(a) terapeuta. Portanto devo salientar que um terapeuta é imprescindível no autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Existem alguns aplicativos para quem quer fazer terapia sem sair de casa, o BetterHelp ou outros sites em português, para quem não pode se deslocar para o terapeuta é muito útil, disponível em qualquer lugar do mundo. Existem outros terapeutas que apesar de não estarem nesta plataforma, fazem terapias on-line. A vantagem é o preço as vezes ser mais em conta, bem como não precisar se deslocar ao escritório do terapeuta.

5) Não se desenvolver

Aqui falo especialmente sobre estudar. Eu já vou ser direta, uso o esquema 70:20:10. Onde 70% do aprendizado é na prática, 20% troca de informações e comunidade e 10% teoria. Esse é o melhor jeito de se aprender na minha opinião. E também usar as ferramentas da Dra. Barbara Oakley no curso: “Aprendendo a aprender” do Coursera. Eu vi várias dicas nesse curso sobre por exemplo estudar em locais diferentes, métodos de arquivamento de pesquisas, notas (post-it), flashcards. Primeiramente tem que entender qual o seu tipo de aprendimento. Se ele é visual, se é em comunidade, quinestésico ou tudo isso. Usando a técnica do 70:20:10 você vai conseguir formas melhores de trabalhar o seu estudo.

Depois de aprender chegou a hora de testar os seus conhecimentos fazendo um protótipo resolvendo o seu problema em questão. Usando as suas ferramentas do conhecimento adquirido, agora falta a experimentação, ou seja, os 70% restantes do seu processo de aprendizagem, então finalmente terminar com os 20% que seria compartilhar com a comunidade tudo o que você aprendeu na teoria e na prática contando a sua experiência para que você aprenda com a experiência dos outros. Todos estamos lutando para melhorar a nossa vida e alguns querem melhorar a vida dos outros também. Isso faz com que tenhamos que ter ferramentas intelectuais principalmente, á nossa disposição.

Portanto estude, sempre.

6) Não enxergar a o lado positivo e a intenção positiva das coisas

Aqui sim, seria tentar seria olhar o lado bom. O que é ser alguém positivo? É alguém que resiliente que apesar dos percalços da vida, está tentando mudar de perspetiva, está tentando olhar o mundo sob outro angulo. Isso é extremamente inteligente e pode trazer muitos insights (que você já sabe que tem que anotar no seu diário certo?). Quando alguém te critica ou que aparentemente esteja a te criticar, pense…qual foi a intenção positiva por trás dessa pessoa (sempre há de encontrar uma)? Por exemplo, alguém chega ao seu lado e diz “Não gostei e não entendi o seu relatório de ontem”. Foi agressivo? Um pouco, mas você vai filtrar isso talvez. Como? Talvez pergunte “Existe alguma coisa que posso fazer para melhorar? Talvez colocar mais cores, ou gráficos que expliquem melhor o conceito?”. Não levar o que a pessoa disse a peito e se magoar. Porque vai significar que o que essa pessoa disse passou pelo seu viés confirmatório que você não sabe fazer apresentações. E como todos os vieses, este deveria ser desconstruído. Digo isso porque são armadilhas de atalhos do pensamento. Uma forma que o cérebro encontrou de economizar esforço e sem esforço não há comprometimento da nossa parte. Tentar sempre buscar o positivo nas coisas e nas pessoas não é ingenuidade, você não precisa se proteger o tempo todo de uma possível ameaça. Ser positivo é até um certo nível, uma forma de sobrevivência. Todas as pessoas mudam constantemente, portanto uma vez você pode estar pensando que alguém está aparentemente contra você. Quando você parar de focar no negativo desta pessoa, vai perceber que ela é uma pessoa insegura, talvez medrosa e nem sempre, mas muito comum, sem tato para lidar com outras pessoas. É esse olhar por vezes generoso que vai te ajudar a mudar de perspetiva, e não deixar de ser gentil com esta pessoa apesar da aparente adversidade, bem como consigo mesmo(a). Quando percebermos que temos falhas como todos os outros e que todos temos o medo constante de quase tudo o que esteja alheio a nossa zona de conforto: um primeiro emprego, ou uma primeira promoção, estar fora do seu país de origem, conhecer pessoas novas, etc. Nos faz sentir impotentes e indefesos. Como um animal que se separou do bando e está sozinho cercado de lobos. Todos temos esse sentimento constante. Basta então enfrentar esses medos tentando olhar sob novos ângulos. Esse animal indefeso se conseguir enxergar alguma vantagem no terreno, tempo ou em si mesmo, certamente escapará dos lobos.

7) Não se preparar

Esse vai de encontro com o ponto 5. Aqui é a fase do experienciar o que foi aprendido e anotar todos os resultados, sejam eles bons ou maus. O que deu certo na tentativa nº5, mas voltou a falhar na tentativa nº6? O que mudou?  No caso aqui é treinar, e treinar muito até estar preparado. Também vale pedir a avaliação de alguém de confiança para ter alguma ideia se há outras formas praticar o que aprendeu. 

8) Não ter postura corporativa

Eu digo aqui de postura física, mas também social. Não saber se encaixar e como se portar é complicado para então se inserir numa sociedade cada vez mais carente de pessoas que tenham habilidades sociais. São regras básicas que precisam ser seguidas que ajudam uma pessoa a ter mais autoconfiança porque terá a validação social de está certa. A imagem abaixo tem 55 habilidades sociais para qualquer faixa etária. Iremos em próximas postagens dissertar sobre algumas dessas habilidades.



9) Focar no problema e não na solução

Focar no que está errado e não no que é preciso fazer para resolver o problema seja ele qual for, ou se comportar perante as situações conforme a figura abaixo significa que você não está parado no problema e sim se movimentando através de uma solução. 
Para isso você precisa:

· Analisar o problema:
O que, quando, onde, como, porque, quem?

· Ter um senso criativo para pensar em soluções nos 3 I’s:
Imaginação, inovação e inspiração

· Conversar com outras pessoas

· Fazer um brainstorming se possível

· MindMap para desenhar o problema a caminho da solução

· Observar, questionar e remodelar o pensamento

· Persistir e não desistir até conseguir



10) Não se manter ativo

Vou confessar que esse erro até eu mesma faço. E é péssimo. Fazer exercícios mesmo que de baixa intensidade como caminhada, yoga, meditação ou até atividades de maior intensidade como corrida e musculação ajudam a pensar melhor como também aumenta a autoestima e produz diversos hormônios imprescindíveis ao nosso organismo. Fora que se caminhar á luz do sol poderá ajudar seu corpo a produzir vitamina D, também é uma forma excelente de explorar os arredores, ajuda na criatividade porque se entra em estados meditativos (mindfullness) além da possível ajuda a perder peso e de se re-conectar com a natureza. Se quiser uma dica de aplicativo, use o Down Dog e o Calm, tem exercícios, meditações guiadas, alongamento, yoga e até dança!

11) Bónus: Vieses cognitivos

Acho que pode ser relevante observar algumas armadilhas da mente quando estamos sob pré-conceitos ou que não nos percebemos que algum viés cognitivo está a influenciar a nossa forma de julgar uma situação ou problema.
 

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